Na Espanha, 78% das importações e 57% das exportações são feitas pela rede de portos comerciais; por isso, a greve dos estivadores está sendo especialmente sensível para a continuidade da atividade portuária, e as perdas podem se prolongar bem além do fim do conflito.
A greve dos estivadores já custou 146 milhões de euros entre as perdas diretas e indiretas causadas pela greve, segundo informa o Governo. Da mesma forma, 34 navios foram desviados para portos fora da Espanha em consequência das paralisações. A greve deixou em terra mais de 1.000 contêineres de produtos com destino a mercados internacionais e, segundo a agência Europa Press, os sindicatos dos estivadores convocaram quatro novas paralisações de 48 horas para o fim deste mês de junho e o início de julho. Desta vez não serão ininterruptas, mas afetarão apenas as horas ímpares.
A principal reivindicação dos estivadores diante da reconversão de seu ofício é que se garanta o emprego para todo o coletivo por meio de sua sub-rogação. Essas paralisações, convocadas pelos sindicatos CETM, UGT, CCOO, CIG e CGT, ocorrem pela falta de garantia de 100% do emprego por parte do patronato Anesco após a aprovação do decreto de regulamentação da estiva. Os serviços mínimos fixados pelo Ministério do Fomento, que criou um comitê interministerial para analisar o desenvolvimento das greves, protegem as operações que envolvam mercadorias perecíveis ou perigosas, cuja permanência no porto possa representar um risco grave para pessoas ou instalações. Também os serviços necessários para garantir o abastecimento, o atendimento sanitário e os suprimentos especiais e essenciais aos territórios insulares, Ceuta e Melilla.
A China compra os portos espanhóis
A China continua em seu caminho para tornar-se a primeira potência comercial do mundo, desta vez por ocasião da greve dos estivadores espanhola. Em razão da greve dos estivadores, a COSCO comprou, por meio do JP MORGAN, os principais portos da Espanha, e isso, inegavelmente, favorece a China. Agora, a entrada de produtos do país asiático na União Europeia será cada vez mais simples.
O país asiático está investindo na Ásia, na América Latina, na Europa, nos EUA e na África, nesta ordem. A China aproveitou a greve dos estivadores para investir nos portos espanhóis e, assim, controlar a entrada na Europa pelo Sul. Na Europa, concretamente, obtém tecnologia e logística; por isso faz sentido a compra de portos espanhóis.
"A China está disposta a liderar uma nova ordem internacional mais justa e razoável. Um regime centralizado, que permite muitas vantagens na hora de implantar uma estratégia comercial determinada, desenvolvê-la e manter unidos o governo e as empresas trabalhando por um fim comum", destacou Xi Jinping em sua visita à União Europeia.
